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Stewardship no século XXI: da administração de recursos à governança dos bens comuns

A origem do Stewardship está associada à figura do steward, aquele que administrava um patrimônio em nome de seu proprietário. Sua responsabilidade era utilizar os recursos com prudência, preservar seu valor e transmiti-los em boas condições às gerações seguintes.


Durante séculos, essa ideia foi suficiente. Havia um proprietário, um administrador e um patrimônio a ser protegido.


Entretanto, os grandes desafios do século XXI não seguem mais essa lógica.


Hoje, convivemos com recursos que não pertencem a uma única pessoa, instituição ou país. São bens comuns, compartilhados por toda a sociedade e indispensáveis para o futuro coletivo. A eficácia dos antimicrobianos é um desses bens, assim como a estabilidade climática, a biodiversidade, a qualidade da água e a confiança nos sistemas de saúde.


O paradoxo é evidente: todos dependem desses recursos, mas ninguém consegue preservá-los sozinho.


Foi esse dilema que Garrett Hardin descreveu como a Tragédia dos Comuns. Quando cada ator toma decisões orientadas apenas pelo benefício imediato, o patrimônio coletivo é progressivamente degradado.


Mais tarde, Elinor Ostrom demonstrou que essa tragédia não é inevitável. Bens comuns podem ser preservados quando existem instituições capazes de promover cooperação, confiança, regras compartilhadas, monitoramento e responsabilidade coletiva.

É exatamente nesse ponto que o conceito de Stewardship precisa evoluir.


Se antes ele significava administrar recursos em nome de um proprietário, hoje ele passa a significar governar bens comuns em nome da sociedade.


Essa mudança desloca o foco da gestão de recursos para a governança das interdependências.


Os desafios deixam de ser resolvidos por organizações isoladas e passam a depender da coordenação entre múltiplos atores que compartilham responsabilidades sobre o mesmo patrimônio coletivo.


Sob essa perspectiva, os programas de Antimicrobial Stewardship representam muito mais do que iniciativas para promover o uso racional de antibióticos.


Eles são mecanismos de governança destinados a proteger um bem comum cuja preservação depende da ação coordenada de profissionais de saúde, médicos-veterinários, gestores públicos, pesquisadores, indústria, produtores e sociedade.

Essa talvez seja a evolução conceitual mais importante do Stewardship no século XXI.


Não apenas administrar recursos.


Mas construir governança para preservar aquilo que pertence a todos.


Em sua expressão mais ampla, Stewardship pode ser definido como a governança da responsabilidade compartilhada sobre os bens comuns que sustentam a vida, a saúde e o futuro da sociedade.

 
 
 

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