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Stewardship para a Saúde Sustentável

12 de ago.
2 min de leitura

Atualizado: 26 de ago.

Durante muitos anos, falamos de Stewardship quase exclusivamente como um conjunto de estratégias destinadas a promover o uso racional dos antimicrobianos dentro dos hospitais.


Essa abordagem foi, e continua sendo, fundamental. Mas ela já não é suficiente.

A resistência aos antimicrobianos deixou de ser um problema exclusivamente assistencial. Hoje, ela representa uma das maiores ameaças à saúde global porque atravessa fronteiras que antes tratávamos de forma separada.


Ela conecta pessoas, animais, meio ambiente, alimentos, água, solo e economia.

Nenhuma dessas dimensões consegue responder isoladamente a um problema que nasce justamente da interação entre elas.


É por isso que o Stewardship precisa evoluir.


Mais do que controlar prescrições ou monitorar indicadores hospitalares, Stewardship passa a representar uma forma de governança capaz de coordenar decisões entre diferentes setores que compartilham responsabilidade sobre um mesmo ecossistema.


Governar significa criar coerência entre decisões que hoje ainda acontecem de maneira fragmentada.


Uma decisão tomada dentro de um hospital produz consequências fora dele.


Da mesma forma, decisões relacionadas à produção animal, ao descarte de resíduos, ao uso ambiental de antimicrobianos e às políticas públicas retornam ao sistema de saúde sob a forma de novas resistências, novas infecções e novos desafios clínicos.


A lógica da Saúde Única nos mostra que não existem sistemas independentes.


Existe apenas um único sistema, profundamente interdependente.


Nesse contexto, Stewardship deixa de ser apenas um programa de uso racional de antimicrobianos.


Passa a ser um modelo de governança para a sustentabilidade dos sistemas de saúde.


Governança que integra conhecimento.


Governança que conecta instituições.


Governança que articula políticas públicas.


Governança que transforma decisões isoladas em responsabilidade compartilhada.


Mais do que discutir resistência aos antimicrobianos, é fundamental discutir como construir uma nova arquitetura de governança capaz de responder aos desafios sanitários, ambientais e econômicos do nosso tempo.


Porque a sustentabilidade da saúde dependerá cada vez menos da capacidade de cada organização agir sozinha e cada vez mais da capacidade de todos decidirem juntos.

 
 
 

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